Cartão BNDES tem potencial para alavancar adoção de e-Commerce B2B no Brasil

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O Cartão BNDES, com R$ 56 bilhões em crédito pré-aprovado, tem tudo para ser uma importante alavanca na adoção do e-Commerce B2B (Business To Business, ou venda entre empresas) no Brasil. Criado em 2003, o cartão BNDES oferece um crédito rotativo, pré-aprovado de até R$ 2 milhões e vem se difundindo principalmente entre as pequenas empresas.

Quando falamos em e-Commerce, seja ele de qualquer tipo (B2B, B2C, B2E, etc), meios de pagamento são um dos assuntos chaves e imprescindíveis para que o canal de venda digital seja adotado em larga escala, tanto por compradores quanto por fornecedores.

No caso do varejo, que usa o modelo B2C (Business To Consumer, ou venda direta para o cliente final), o Brasil já tem soluções maduras e bem estabelecidas. Hoje milhões de brasileiros comprarm produtos e serviços online e pagam principalmente com cartão de crédito e boleto bancário, tudo online.

Porém quando entramos no B2B, onde ocorre a venda entre empresa, ainda temos grandes dificuldades quando o assunto é meios de pagamento. O cartão de crédito não é tão usado em empresas como é pela pessoa física, e as soluções tradicionais de crédito faturado ainda estão tentando entender como migrar do off para o online.

É neste cenário que entra o cartão BNDES. Com 719 mil cartões emitidos, ele representa um volume financeiro atual de R$ 56 bilhões em crédito pré-aprovado, que as empresas podem usar imediatamente, no mesmo formato de um cartão de crédito, e que inclusive é emitido com bandeira Visa ou Martercard.

Em 2016, segundo dados do próprio BNDES, foram realizadas 420 mil operações com o cartão, movimentando R$ 5.6 bilhões. Apesar deste número ter caído, se comparado com 2015 e 2014, ele ainda tem um grande potencial de financiamento das micro e pequenas empresas. Esta queda se deu por alguns fatores como crise e mudanças nas políticas e riscos dos bancos emissores na liberação de crédito.

BNDES_total_desembolsos

Principalmente quando falamos em micro e pequenas empresas, o crédito é um fator decisivo na geração e fomento de negócios, e é neste segmento que a oferta de crédito é mais complexa e de difícil aprovação. Deste montante de R$ 5.6 bi movimentados em 2016, 56,9% foram destinados para as micro empresas, enquanto que 28,4% para as pequenas e 14,7% para as médias, segundo o BNDES.

BNDES_desembolso_por_porte_de_empresa

Grandes empresas tem áreas de compra muito bem estruturadas, com altos volumes negociados e acesso a tecnologias como EDI, portais de compras e leilões reversos, e já tem parte de seus negócios ocorrendo de forma automatizada. Porém quando falamos nas pequenas empresas, a realidade é outra. Sem acesso fácil a crédito (e barato) e sem capacidade de compras em larga escala, estas empresas acabam tendo menos oportunidades de reduzir seus custos e competir em um mercado cada vez mais globalizado.

Para os fornecedores, vender para pequenas empresas, de forma pulverizada e em ampla escala, considerando as dimensões geográficas do Brasil, é um enorme desafio. Dar crédito para pequenas empresas, sem um relacionamento presencial e separada por enormes distâncias não é tarefa fácil. Mas segundo a máxima que por trás de cada grande desafio, se esconde uma grande oportunidade, as empresas que conseguirem se adptar primeiro, estarão mais aptas para trabalhar este mercado. Portais de venda digital para empresas, ou e-Commerce B2B, permitem que o fornecedor venda neste formato pulverizado para qualquer tipo de empresa (grande ou pequena) e sem restrições geográficas. E um componente essencial na venda para pequenas empresas é o crédito.

Segundo um estudo do Sebrae/SP, este tipo de empresa, ainda que responda por 27% do PIB do estado de São Paulo, é responsável por 49% dos empregos e é 98% do número de empresas registradas, ou seja, 98% dos potenciais clientes PJ em SP são formados por pequenos negócios.

PME_participacao_pequenos_negocios_SP

Fazendo uma análise destas informações, da representatividade que as pequenas empresas tem na economia, aliada com a maior dificuldade de acesso a crédito, e diante dos atuais R$ 56 bilhões em crédito pré-aprovados que existe no mercado dentro dos 719 mil cartões emitidos, é fácil entender o potencial de compra que existe.
Até 2016 todo o processamento de pagamentos com cartão BNDES era feito exclusivamente dentro do portal do cartão (https://www.cartaobndes.gov.br). Porém em 2017 já estamos vendo as primeiras integrações online para que as plataformas de e-Commerce (principalmente as B2B) integrem seus sistemas com os do cartão e façam o processamento online das transações.
Uma das pioneiras nesta integração foi a Fast Channel (http://www.fastchannel.com), responsável pela operação B2B da Fast Shop, uma das maiores redes varejistas no pais, e que apostou no crescimento do mercado B2B com um portal dedicado para empresas (https://empresas.fastshop.com.br). Desde o início do lançamento de seu portal, a Fast Shop apostou que o cartão BNDES seria uma ferramenta importante na alavancagem da venda para clientes corporativos, e esta visão está se provando mais que acertada. E com a nova integração online, os números só devem aumentar, pois se do lado do cliente, facilita seu uso, do lado do vendedor, facilita a venda e o processamento.

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About Author

Mauricio Di Bonifacio

Mauricio Di Bonifacio (Boni) é sócio-fundador da Fast Channel, atuando com venda digital B2B. Também é sócio-fundador da Vertis (www.vertisnet.com.br), uma das principais empresas de soluções de e-Commerce B2B (indústria/atacado). Atua desde 2000 em importantes projetos de e-Commerce como Fast Shop, Arcelor Mittal, Camicado, Giuliana Flores, Zelo, Della Via Pneus, Goodyear e Duchas Corona dentre outros. Tem graduação e mestrado pela USP, dois livros publicados, já foi professor em cursos de graduação, pós-graduação e MBA, e agora está se dedicando a fomentar o mercado de e-Commerce B2B e Transformação Digital da Indústria

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